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Médica examina criança de 2 anos morta sob tortura e afirma 'abusos eram antigos, não começaram ontem'

Por Daniel Alves em 12/03/2023 às 12:57:51

Doutora Ana Claudia Regert chorando diz: tristeza e indignação pelo que viu no corpo da menina de 2 anos

Durante atendimento, Ana Cl√°udia Regert viu sinais de espancamento, fingiu que continuava atendendo a criança e correu até a delegacia para denunciar pai e madrasta de Quenia Gabriela.

CARRASCOS: Pai e madrasta da criança torturada até a morte

Uma personagem foi fundamental para a descoberta do que acontecia com a menina Quenia Gabriela Oliveira Matos de Lima, de 2 anos, que deu entrada na Cl√≠nica da Fam√≠lia Hans Jurgen Fernando Dohmann, em Guaratiba, morta e com sinais de tortura: a médica Ana Cl√°udia Regert.

Foi ela que identificou que não se tratava de um atendimento qualquer e que a criança j√° estava morta quando deu entrada na unidade de sa√ļde.

"Quando me viram de jaleco começaram a gritar falando que ela não estava respirando. Retirei a criança e fui para parte interna da unidade para avaliar. Ela j√° estava desfalecida, em estado cadavérico, mostrando que a meu ver, j√° tinha bastante tempo que tinha acontecido, não minutos, como eles tinham relatado", diz sobre o pai e a madrasta de Quenia, Marcos Vin√≠cius Lino e Patr√≠cia André Ribeiro.


A médica conta que ainda tentou reanimar a criança, sem sucesso, e que nesse momento se deu conta do que aconteceu com Quenia.

"Quando a gente colocou na maca e despiu para iniciar as manobras, era evidente que eram lesões que não tinham acontecido só ontem. Eram coisas que j√° vinham acontecendo h√° bastante tempo. Tinha lesões por queimadura, provavelmente de cigarro, no umbigo, √°rea genital tinha alteração, tinha fissura anal, muitos hematomas no corpo de uma criança de 2 anos e 4 meses", lembra emocionada.

Médica foi correndo à delegacia

Após esse momento, Ana Claudia foi correndo até a delegacia do bairro, a 43¬™ DP, que fica a 500 metros da cl√≠nica da fam√≠lia.

"Fui correndo até l√° para poder conseguir suporte e evitar a evasão da unidade", diz sobre os pais da criança.

O pai da menina Marcos Vinicius Lino e a madrasta Patr√≠cia André Ribeiro, com quem a criança morava desde os tr√™s meses, foram presos em flagrante ainda na unidade de sa√ļde. Eles são suspeitos de tortura-la até a morte.

"Eles quiseram prestar depoimento disseram que nunca bateram na criança, que aquelas feridas era que a criança brincava e ca√≠a", contou a delegada M√°rcia Julião.

Morte por meio cruel

Segundo o laudo médico, Quenia Gabriela tinha 59 lesões por todo o corpo, principalmente no rosto e no abdômen, além de sinais de abuso sexual. Os hematomas alguns novos outros antigos revelaram uma rotina de agressão f√≠sica e maus tratos vivida dentro de casa.

"Parecia irreal. Eu queria acreditar que tinha acontecido outra coisa. Mas pelo relato da madrasta ficou n√≠tido que era imposs√≠vel. Era imposs√≠vel a criança ter almoçado, ficado tonta, ter uma crise convulsiva e cair no chão", diz sobre a justificativa apresentada por Patr√≠cia Ribeiro para o estado da enteada.

Madrasta não esboçou reação por morte

A médica conta ainda que outro momento irreal aconteceu quando ela declarou óbito da menina.

"Quando declaramos o óbito, ela (madrasta) teve uma reação ainda mais surpreendente de não ter atitude nenhuma. Começou a amamentar o filho dela de 3 meses, como se fosse uma coisa completamente indiferente. Chocante, muito chocante", relata Ana Claudia.

Pai e madrasta negaram os maus-tratos, disseram se tratar de um "erro", mas vão responder por homic√≠dio duplamente qualificado e tortura.

A médica Ana Claudia Regert se diz abalada com a situação e reflete sobre o tempo de sofrimento que Quenia Gabriela pode ter vivido.

"É duro. A imagem é muito forte na minha cabeça (emocionada). Queria ter minimizado a dor. Meu maior questionamento não é sobre o que ela passou. Não começou ontem. Ela est√° com essa criança desde 3 meses de idade. Ela (Quenia) est√° com 2 anos e 4 meses", lamenta.

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