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Homem morto pela polícia 'foi baleado mesmo depois de gritar que era trabalhador', diz advogado

Polícia atira primeiro, depois pergunta quem é a vítima...

Por Daniel Alves em 27/11/2023 às 07:40:50

Eberson Luiz Santos da Silva era maqueiro e morreu após ser baleado

Eberson Luiz Santos da Silva teria mostrado crachá após ser alvejado na perna e foi novamente ferido na barriga. Ocorria uma operação policial na comunidade quando ele foi baleado.

Um advogado e amigo da família afirma que Eberson Luiz Santos da Silva, o mototaxista morto na Avenida Brasil no último sábado durante ação policial na Vila Kennedy, Zona Oeste do Rio, avisou que era trabalhador após ser baleado uma primeira vez e, ainda assim, recebeu mais um tiro.

Segundo o advogado Ed Wilson, Eberson saía para trabalhar, por volta das 19h, quando foi atingido por policiais militares. Ele seguia de mototáxi quando teve início uma incursão da PM na comunidade.

Ainda segundo o relato, os policiais disparam contra a perna de Eberson, que imediatamente caiu e gritou que era trabalhador, mostrando o crachá da empresa em que trabalhava. Os agentes, então, teriam ignorado os gritos de Eberson e feito um novo disparo contra a barriga dele.

O advogado acrescenta que vizinhos tentaram socorrê-lo, mas os policiais jogaram spray de pimenta para dispersá-los.

Revoltados, os vizinhos insistiram em tentar socorrer eberson, mas os policiais o levaram para a viatura e o levaram para o Hospital Municipal Albert Schweitzer. Wilson afirma ainda que até o momento, somente a versão dos policiais foi ouvida pela Divisão de Homicídios.

No início da noite de sábado (25), moradores da região fizeram um protesto e chegaram a interditar a Avenida Brasil.

Ed descreve Eberson como uma pessoa tranquila, pacífica e muito querida na comunidade, que está consternada com a tragédia. Segundo ele, Eberson trabalha como maqueiro na Iabas, O.S. responsável pela gestão de algumas unidades de saúde da cidade. A Secretaria Municipal de Saúde confirmou que Eberson foi maqueiro da UPA Costa Barros, mas já não integrava a equipe da unidade desde junho deste ano.

Eberson não era casado, não tinha filhos e morava com a mãe, que trabalha como faxineira na UPA da Vila Kennedy. O corpo dele já foi liberado do Instituto Médico Legal. O velório de Eberson será nesta segunda-feira às 14h50 no Cemitério de Ricardo de Albuquerque. O enterro está marcado para as 15h45.

A versão da PM

Segundo a PM, agentes do 14° BPM (Bangu) realizavam um patrulhamento na Rua Viúva Guerreiro quando foram atacados a tiros por bandidos. Houve confronto e um dos responsáveis pelo ataque foi preso com dois carregadores, um porta-carregador e uma quantidade de material entorpecente.

Os policiais afirmaram que, na sequência, encontraram um morador ferido. Ele foi levado para o Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, também na Zona Oeste. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, a vítima já chegou morta à unidade de saúde.

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