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DIA DO CARTEIRO: Funcionários dos Correios em Sergipe reclamam de 'perdas de direitos'

Por Daniel Alves em 27/01/2021 às 08:46:54

Trabalho duro

Na última segunda-feira, 25, foi comemorado o Dia do Carteiro, profissão que surgiu há séculos e se transformou num serviço essencial na sociedade moderna. Além das correspondências escritas, muitos serviços de entrega de objetos e produtos dependem exclusivamente da atuação desses profissionais. No entanto, em 2021, os trabalhadores dessa área em Sergipe não têm muito o que comemorar.

Segundo especialistas em História do Brasil, o serviço regular de entregas de cartas e mercadorias foi estabelecido no país em 1835 e atualmente são mais de 56 mil carteiros trabalhando na Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Em Sergipe, de acordo com o secretário geral do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios, Jean Marcel, são cerca de 700 carteiros ativos e outros cerca de 500 aposentados.

Segundo Jean, os carteiros vêm sofrendo uma série de perdas de direitos e de salários que têm impactado diretamente na rotina com péssimas condições de trabalho. "Nós saudamos os profissionais nesta data. Mas, a verdade é que não temos muitos motivos para comemorar. Os serviços dos Correios foram considerados essenciais neste momento de pandemia, então não houve paralisação das atividades, os carteiros continuam nas ruas e muitos foram infectados e alguns foram a óbito. Graças a Deus em Sergipe nenhum carteiro morreu de Covid-19. A empresa lucrou muito com a pandemia. Mesmo assim, tivemos nossos direitos históricos retirados sobre o pretexto de crise. Vários valores do nosso acordo coletivo que tinha mais de 15 anos foram retirados por uma mudança na jurisprudência", lamenta o secretário.

Entre as perdas, a mais significativa, segundo Jean, foi a do plano de saúde. "Esse era o melhor que nós tínhamos, porque conseguíamos incluir beneficiários, cônjuges, filhos, e até pais. Agora estamos pagando muito caro por esse plano médico", disse. Além disso, o salário da categoria é o mais baixo na esfera federal, com a base salarial de R$ 1.700. Ele conta ainda que vantagens financeiras que eram concedidas aos finais de ano, chamadas de ticket extra, também foram retirados do acordo coletivo, e as férias remuneradas estão menores. "A nossa categoria está muito defasada, com o menor salário na esfera federal. Tem gente que trabalha com manutenção que já entra recebendo mais do que os carteiros. Então, estamos passando por um período difícil com perdas salariais e péssimas condições de trabalho", acrescenta Jean.

O último concurso dos Correios aconteceu em 2011, e após 10 anos o cenário em algumas cidades é de crise. De acordo com o secretário, existem municípios que contam com apenas um único funcionário dos Correios, onde o mesmo exerce função de gerência, atendimento e carteiro. "Em Nossa Senhora de Aparecida, por exemplo, acontece isso. Só tem um carteiro e ele é responsável pela gerência e entrega dos objetos. Pela manhã ele atende, e à tarde a agência fecha para ele ir fazer as entregas", revela o secretário. Ainda conforme Jean, todo o "sucateamento dos Correios é proposital e tem como objetivo principal a privatização da empresa". "É um projeto de governo a privatização da empresa. Os guerreiros carteiros vão continuar fazendo o trabalho com muita dificuldade, mas, a gente prevê que esse ano a gente tenha muita luta, principalmente contra a privatização da empresa", acredita o secretário. E relembra: "Os Correios não existem simplesmente para dar lucro, mas é um serviço necessário para a população, que permite que as empresas e industrias comercializem seus produtos em cidades pequenas, e lugares mais remotos. Temos em Sergipe cidades que não têm banco nem público nem privado, nem outros serviços de entrega. Quando a gente fala da região amazônica é mais complicado ainda. Qual outra empresa levaria medicamentos, insumos, para lugares mais longínquos do Brasil, a não ser os Correios?", questiona.

Correios
A Empresa Brasileira de Correios Telégrafos nega as afirmações do sindicato. De acordo com a Assessoria de Comunicação do órgão, "as alegações não procedem". "Em um contexto no qual milhões de pessoas têm perdido seus empregos e empresas vêm fechando as portas, é importante relembrar que os Correios têm preservado empregos, salários e todos os direitos previstos na CLT, bem como outros benefícios concedidos aos trabalhadores durante toda a pandemia.

Além disso, não houve redução de salários nesse período. Isso mostra que a estatal preza por seus empregados e por sua sustentabilidade, enquanto empresa pública dos brasileiros", informou por meio de nota. Sobre o Plano de Saúde dos empregados, Correios informa que "é necessário esclarecer que as mudanças implementadas tiveram o aval no âmbito do poder judiciário, e com decisão final pelo TST. Para efeito de análise, é possível considerar um empregado de nível superior com idade entre 30 e 40 anos.

Nos Correios, este beneficiário arca com cerca de R$ 405 mensais, somando-se a esse desconto a coparticipação de 50% das despesas a ele atribuídas. Em comparação à média nacional para planos coletivos (R$ 582), este beneficiário, nos Correios, tem acesso a um benefício 43% mais barato", afirma. Sobre a privatização, a empresa não se posicionou. "Orientamos acionar a Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimentos (SPPI)/Ministério da Economia", conclui a nota.

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